O Demyxil é um creme de uso tópico para frieira e irritação da pele com descamação. Eu usei-o por causa de uma frieira teimosa entre os dedos do pé. Queria algo simples de aplicar em casa, sem andar a trocar de produto todas as semanas, e o principal era parar a comichão à noite.
Comecei a usar um tubo de 30 mililitros nessa mesma semana, depois de um banho em que reparei que a pele estava a descamar e a abrir em pequenas fissuras. A textura chamou-me logo a atenção: é um creme branco, não muito espesso, espalha-se bem e fica com um toque ligeiramente encerado durante alguns minutos. Isso não me incomodou, mas obrigou-me a ter paciência.
Como eu apliquei
Criei uma rotina simples. Lavava os pés, secava muito bem com uma toalha só para isso e ainda passava um pouco de papel entre os dedos para tirar a humidade. Só depois punha uma camada fina de Demyxil. Fiz isso duas vezes por dia, de manhã e à noite, durante seis semanas. Nos dias em que cheguei tarde a casa e falhei uma aplicação, notei logo que no dia seguinte a zona ficava mais sensível.
Também deixei o tubo ao lado da escova de dentes para não me esquecer da aplicação da manhã. Parece um detalhe pequeno, mas ajudou-me mesmo. Outra coisa que aprendi foi esperar uns dez minutos antes de calçar meias, porque se o fizesse logo o creme colava um pouco ao tecido e eu sentia que estava a desperdiçar produto.
O que senti nas primeiras semanas
Na primeira semana, não foi nada mágico. A descamação continuou e a pele ainda tinha aquele aspeto esbranquiçado e húmido típico da frieira. O que melhorou mais cedo foi a comichão. Por volta do terceiro ou quarto dia, já não acordava a coçar o pé de forma automática, e isso para mim já foi uma diferença grande.
Na segunda semana, aconteceu algo que me deixou desconfortável: a pele começou a soltar mais, quase como se estivesse a esfoliar. Não foi bonito de ver. Ao mesmo tempo, a zona ficou menos vermelha, e eu associei isso ao ácido salicílico da fórmula. Foi uma fase chata, porque parecia que estava pior, mas era mais o aspeto do que a sensação.
Foi por volta da terceira semana que eu notei uma mudança mais clara. As fissuras pequenas fecharam, a pele deixou de arder quando eu a lavava com água quente e o cheiro a pé abafado ao fim do dia diminuiu bastante. Também tinha alguma irritação na lateral do dedo mindinho, e essa zona melhorou quase sem eu dar por isso.
A partir da quarta semana, o que ficou mais evidente foi a estabilidade. Antes, eu tinha dias bons e dias maus. Com o Demyxil, deixou de haver essa sensação de andar para trás. A pele ficou mais lisa, com um aspeto mais normal, e a linha branca entre os dedos foi desaparecendo.
Os pontos menos bons
Eu gostei do resultado, mas houve coisas que me irritaram mesmo. Quando aplicava demais, sentia um ardor leve durante uns minutos e, às vezes, a pele ficava mais vermelha nesse dia. O cheiro é suportável, mas nota-se um lado a óleo essencial. Também manchou um pouco umas meias claras quando me apressei a calçá-las.
- ardor leve se eu exagerasse na quantidade
- cheiro perceptível, com lado a óleo essencial
- ligeira mancha em meias claras
- sem efeito na unha do pé que eu suspeitava ter micose antiga
A unha foi a maior limitação para mim. Eu tinha uma unha do pé com aspeto antigo de micose e o creme não mexeu nisso. Também percebi que tive de mudar hábitos para o resultado ficar mesmo bom. Se eu usasse o mesmo par de sapatilhas dois dias seguidos e suasse muito, a pele queixava-se mais. O creme ajudou, mas não compensou esse tipo de situação.
Noutra zona mais sensível perto da dobra do dedo, tive de reduzir a quantidade porque a pele começou a ficar seca demais. Passei a usar uma camada ainda mais fina e a espaçar um pouco quando via que estava a repuxar. Para mim, isto não era um produto neutro. Sente-se na pele, para o bem e para o mal.
Na fórmula, eu reparei em ácido salicílico, niacinamida, extrato de bétula branca e óleo de melaleuca. No meu caso, isso traduziu-se numa mistura de ação mais de limpeza e esfoliação, com uma parte de acalmar e hidratar. Não achei que fosse agressivo ao ponto de me obrigar a parar, mas também não achei que pudesse ser usado de forma displicente.
Eu diria que o Demyxil faz mais sentido para frieira e irritação com descamação, quando a pele está a pedir rotina e persistência. Para quem tem comichão e vermelhidão em zonas pequenas dos pés e consegue ser consistente, pode resultar bem. Também vejo utilidade para quem tem tendência a recidivas e quer manter a pele tratada durante algumas semanas seguidas.
Eu acho que deve ficar de lado, ou pelo menos ser pensado com cuidado, por pessoas com pele muito reativa a óleos essenciais, por quem tem feridas abertas a sério e por quem espera resolver uma unha grossa e amarelada só com um creme. No meu caso, essa parte não funcionou, e eu não vou fingir que funcionou.
No fim das seis semanas, parei e fiquei atento. Passadas duas semanas sem usar, a frieira não voltou logo. Isso foi o que me deixou mais satisfeito. Eu cheguei a voltar a usar pontualmente depois de um dia de muito calor, só uma aplicação à noite, mais por prevenção do que por necessidade. Eu não tratei isto como se fosse uma solução para tudo, e acho sensato manter essa mesma cautela quando o problema é mais sério. Se alguém tiver dúvidas, eu confirmaria o enquadramento com um profissional de saúde.
Eu compraria o Demyxil outra vez para ter em casa como opção para frieira, mas não como resposta para qualquer coisa parecida com micose. Comigo, reduziu a comichão rápido e estabilizou a pele ao fim de cerca de três semanas, mas exigiu aplicação certinha e não resolveu a parte da unha.